Valdemar Costa Neto explica pragmatismo na filiação de Sergio Moro ao PL, citando necessidade de votos para “melhorar o país”.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu o jogo sobre a recente filiação do senador Sergio Moro ao partido. Em entrevista ao portal Metrópoles, Valdemar classificou a manobra como um **”cálculo pragmático”** essencial para a estratégia eleitoral da legenda, admitindo ter mudado sua posição anterior em relação ao ex-juiz da Lava Jato.

A decisão, segundo o dirigente, foi motivada pela **necessidade de capital político e votos de Moro** para fortalecer o campo da direita e garantir a maioria necessária para governar. Valdemar enfatizou que o objetivo é **”melhorar o país”**, o que, em sua visão, só é possível com uma base forte no Congresso e nos estados.

A articulação com Moro ganhou força após o governador Ratinho Junior (PSD) anunciar, e depois desistir, de sua pré-candidatura à Presidência. A entrada de Moro no PL garante um **palanque importante no Paraná** para as ambições presidenciais de Jair Bolsonaro, fortalecendo a presença do partido em regiões estratégicas.

Mudança de opinião: A importância dos votos de Moro para o PL

Valdemar Costa Neto foi claro ao afirmar: **”Mudei [de opinião]. Sabe por quê? Porque nós precisamos dos votos dele.”** Ele explicou que, após Ratinho Junior cogitar a disputa presidencial, o PL precisou se reorganizar no Paraná. Com a desistência de Ratinho, a filiação de Moro se tornou uma peça chave.

O dirigente do PL ressaltou que a vitória eleitoral exige mais do que uma pequena margem de votos, especialmente diante da **”máquina” governamental**. **”Nós vamos ganhar a eleição, mas não com 10 milhões de votos na frente. Nós temos que tomar cuidado, porque na outra eleição nós perdemos na casca”**, declarou Valdemar, justificando o apoio a Moro como uma decisão **”bom para nós”**.

Histórico de embates e aproximação inesperada

A relação entre Valdemar Costa Neto e Sergio Moro nem sempre foi amigável. Em 2024, o PL chegou a pedir a **cassação de Moro** no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) por suposto abuso de poder econômico em 2022. Na época, Moro era pré-candidato do Podemos à Presidência.

O senador então se filiou ao União Brasil e desistiu da disputa presidencial para concorrer ao Senado pelo Paraná. Tanto o PL quanto o PT apresentaram ações contra Moro, que foram julgadas e rejeitadas pelo TRE-PR e posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes disso, Moro chegou a afirmar que Valdemar Costa Neto **”mandava no presidente da República”**.

Moro teria ajudado a barrar convocação de Valdemar em CPI

Apesar do histórico de divergências, Valdemar Costa Neto revelou que a relação com Moro melhorou significativamente. Em entrevista ao SBT News, ele relatou que Moro o informou sobre um movimento para convocá-lo à **CPI do Crime Organizado no Senado**, mas que o voto do senador foi crucial para **barrar a convocação**. **”Foi seis a cinco, viu, Valdemar”**, teria dito Moro, segundo o dirigente do PL.

O requerimento de convocação, apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), citava doações de campanha de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero. O pedido, no entanto, foi **rejeitado pela CPI** no dia 18 de março.

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