Vaticano se afasta do plano de paz de Trump para Gaza, citando preocupações e natureza específica da Santa Sé
O Vaticano confirmou, nesta terça-feira, que não participará do Conselho de Paz promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com foco na Faixa de Gaza. A decisão foi comunicada pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que apontou a “natureza particular” da Santa Sé como um dos motivos para a recusa.
Em declarações à imprensa, Parolin explicou que, embora o convite tenha sido recebido e avaliado, existem “pontos que nos deixam um tanto perplexos” e “pontos críticos que precisam ser esclarecidos”. O cardeal ressaltou a importância de se buscar soluções para o conflito, mas indicou que a abordagem do conselho não se alinha completamente com as perspectivas da Santa Sé.
A decisão do Vaticano surge em um contexto onde outros países também demonstram cautela. O México, por exemplo, anunciou que enviará apenas seu embaixador na ONU como observador, enfatizando a necessidade de incluir todas as partes envolvidas nos processos de paz no Oriente Médio, incluindo Israel e Palestina. As informações foram divulgadas pelo próprio Vaticano e pela presidência do México.
México adota postura de observador em iniciativa americana
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, detalhou que o país participará do Conselho de Paz como observador, com a presença de seu embaixador nas Nações Unidas. A decisão mexicana baseia-se no reconhecimento da Palestina como Estado e na crença de que a participação de ambos os lados, Israel e Palestina, é crucial para qualquer processo de paz. Sheinbaum destacou que a estrutura atual da reunião não contempla essa inclusão mútua.
A política externa mexicana, historicamente pautada pela solução pacífica de controvérsias e respeito ao direito internacional, norteou essa posição. O país tem apoiado iniciativas multilaterais que visam promover negociações diretas entre as partes envolvidas no conflito do Oriente Médio, reforçando seu compromisso com o diálogo e o multilateralismo.
Conselho de Paz de Trump reúne representantes de mais de 30 países
O Conselho de Paz, idealizado por Donald Trump, tem como objetivo supervisionar a implementação de um plano de 20 pontos para encerrar o conflito entre Israel e o Hamas. A primeira reunião está agendada para esta quinta-feira em Washington, com a presença de pelo menos 35 chefes de Estado e de governo, incluindo representantes de Israel e Egito.
A lista de participantes abrange diversas regiões, com forte representação do Oriente Médio e Ásia Ocidental, incluindo países como Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes e Paquistão. Outros países da Ásia Central, Sudeste Asiático, América Latina e Europa também confirmaram presença.
Recusas e participações parciais marcam o Conselho
Apesar da participação de muitos países, algumas nações europeias, como França, Espanha e Suécia, optaram por recusar o convite. A Itália, por sua vez, participará como observadora, com o chanceler Antonio Tajani defendendo a presença italiana, argumentando que não há alternativas viáveis à proposta dos EUA e que uma ausência seria “politicamente incompreensível”. A delegação italiana ainda não teve seu chefe especificado para a reunião.
A recusa do Vaticano e a participação restrita de outros países como observadores evidenciam as complexidades e as diferentes abordagens diplomáticas em relação ao conflito no Oriente Médio e às iniciativas de paz propostas pelos Estados Unidos.