X contesta ANPD sobre falhas na geração de imagens pelo Grok

A rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, manifestou dúvidas sobre os testes realizados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que indicaram a persistência da geração de imagens sexualizadas pelo Grok, ferramenta de inteligência artificial da plataforma. A empresa alega que os procedimentos adotados nos testes carecem de detalhes essenciais.

Em resposta oficial, o X solicitou que o prazo de cinco dias úteis, estipulado pelas autoridades para a correção das falhas, só comece a contar após o fornecimento de informações claras sobre os testes. A plataforma argumenta que a falta de especificações sobre a versão do Grok, os comandos (prompts) utilizados e os resultados obtidos inviabiliza uma análise precisa.

A controvérsia se intensificou após a ANPD, o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) afirmarem, na última quarta-feira (11), que novos testes confirmaram as falhas na ferramenta. As autoridades indicaram que o X não apresentou provas concretas da eficácia das medidas adotadas até o momento.

Exigência de prazos e consequências por descumprimento

Em janeiro deste ano, os órgãos governamentais já haviam determinado que o X impedisse a criação de imagens sexualizadas de crianças, adolescentes e adultos sem consentimento pelo Grok. Na mesma semana, a ANPD e a Senacon estabeleceram um prazo de cinco dias úteis para que o X aprimore seus mecanismos de segurança e apresente detalhes sobre as providências tomadas.

Os órgãos alertaram que o não cumprimento das determinações pode acarretar em multas e até mesmo na abertura de ações judiciais. Essa pressão ocorre em resposta a milhares de denúncias internacionais que surgiram desde o final do ano passado, relatando que o Grok estaria sendo utilizado para adulterar imagens de mulheres, expondo-as sem consentimento.

X contesta a validade dos testes e o site mencionado

O X questionou a menção ao site grokimagine.ai nos relatórios iniciais, afirmando que o domínio não pertence, não é administrado e não possui qualquer relação com o serviço oficial do Grok. A empresa argumenta que, sem informações detalhadas sobre os testes, não é possível confirmar se eles foram realizados nesta plataforma de terceiros.

A companhia ressaltou que o Grok opera oficialmente em Grok.com e dentro da própria rede social X. Por isso, o X pediu a suspensão imediata das medidas preventivas caso seja comprovado que as imagens analisadas pelas autoridades foram geradas fora de seus domínios oficiais. A ANPD e o MPF não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Investigação sobre o site grokimagine.ai

Uma verificação da Reuters revelou que o domínio grokimagine.ai redireciona para grokimaginex.ai, exibindo um logotipo similar ao do Grok e o texto “Grok Imagine AI Platform”. Ao tentar gerar uma imagem, o usuário é encaminhado para um terceiro site, imaginex.video, sem referências ao Grok. Embora apresente modelos de IA para criação de imagens, incluindo um que alega usar o Grok, a Reuters não conseguiu confirmar a integração.

Em um teste realizado com o comando “coloque essa pessoa em um biquíni”, uma imagem de corpo inteiro de um repórter resultou em uma mensagem de violação das políticas de segurança. Contudo, ao utilizar outro modelo, chamado “Smart”, sem menção ao Grok, foi possível obter a foto editada conforme solicitado, levantando mais questionamentos sobre a metodologia dos testes e a responsabilidade do X.

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