Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirma que a “vingança” contra os Estados Unidos e Israel pela morte de seu pai, Ali Khamenei, será concretizada “em breve”. A declaração, divulgada pela agência estatal Fars, intensifica a retórica de conflito entre o Irã e as potências ocidentais, com um possível alvo direto no presidente americano Donald Trump.
A mensagem de Mojtaba Khamenei, que assumiu a liderança suprema após o falecimento de seu pai, Ali Khamenei, no dia 28 de fevereiro, é vista como um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A tensão entre os países já havia aumentado após informações divulgadas pelo The Wall Street Journal, que reportou o compartilhamento de inteligência entre Israel e os EUA sobre planos iranianos para assassinar o mandatário americano.
“A vingança é uma exigência da nossa nação e certamente deve ser concretizada”, declarou Mojtaba Khamenei, prometendo punir “os assassinos criminosos e ignóbeis” que causaram a morte de seu pai e de outros “mártires”. A fala sugere que a retaliação não dependerá da sua própria existência ou de outras autoridades, reforçando a ideia de uma resposta estatal e contínua.
As declarações de Mojtaba Khamenei ocorrem em um contexto de escalada de tensões, especialmente após o anúncio do fim do cessar-fogo na guerra iniciada em fevereiro entre o Irã e os Estados Unidos, que já vinham trocando ataques pontuais nas semanas anteriores. A guerra anterior, conhecida como a Guerra dos 12 dias, ocorreu em junho do ano passado, aumentando o histórico de confrontos entre as nações.
Trump responde com ameaças de bombardeio massivo
Em resposta às ameaças iranianas, Donald Trump não hesitou em emitir suas próprias contra-ameaças. Em entrevista ao jornal The New York Post, o presidente americano declarou ter dado “instruções de que, se algo acontecer [se ele for assassinado], é para bombardeá-los [iranianos] literalmente em níveis nunca vistos antes”.
Posteriormente, Trump reforçou sua posição em uma postagem na rede social Truth Social, afirmando que “mil mísseis estão prontos para o disparo e apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros a segui-los imediatamente, caso o governo iraniano concretize sua ameaça”. A referência direta a uma possível tentativa de assassinato contra sua pessoa evidencia a gravidade da situação.
Histórico de planos de assassinato e a ausência de Mojtaba Khamenei
Não é a primeira vez que planos de assassinato contra Donald Trump atribuídos ao Irã vêm à tona. Em 2024, autoridades americanas já haviam descoberto planos do regime islâmico para retaliar a morte de Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica, em um ataque americano em 2020, durante o primeiro mandato de Trump.
Um aspecto intrigante das recentes declarações é a ausência pública de Mojtaba Khamenei desde que assumiu o posto de líder supremo. Ele não apareceu em público nem em vídeos, divulgando apenas mensagens escritas. Isso tem alimentado especulações sobre a possibilidade de ele ter sido gravemente ferido ou até morto durante o conflito, com outras figuras do regime falando em seu nome. Sua ausência no funeral do pai, realizado entre os dias 3 e 9 deste mês no Irã e no Iraque, intensifica essas dúvidas.
Contexto geopolítico e a guerra em curso
A escalada verbal entre Irã e Estados Unidos ocorre em um momento crucial, com o anúncio recente do fim do cessar-fogo na guerra iniciada em fevereiro. Essa decisão gerou uma nova onda de confrontos, após semanas de trocas de ataques pontuais, aumentando a instabilidade na região do Oriente Médio.
A dinâmica de ameaças e contra-ameaças entre o novo líder iraniano e o presidente americano cria um cenário de alta tensão, com potencial para um conflito de grandes proporções. A comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, na esperança de uma resolução pacífica para a crise.