ONU considera prisão de ex-presidente peruano Pedro Castillo arbitrária e pede sua soltura

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um parecer contundente, declarando a prisão do ex-presidente peruano Pedro Castillo como “arbitrária”. O órgão internacional enfatiza que Castillo deveria ser “imediatamente em liberdade” e receber uma indenização pelos danos sofridos.

A decisão da ONU surge após a condenação de Castillo a 11 anos, 5 meses e 15 dias de prisão em novembro do ano passado. A sentença foi proferida pela Sala Penal Especial da Corte Suprema do Peru, em decorrência da tentativa de golpe de Estado perpetrada em dezembro de 2022.

Naquela data, Pedro Castillo anunciou a dissolução do Congresso, a instauração de um “governo de emergência” e a convocação de novas eleições para um Legislativo que também teria a tarefa de elaborar uma nova Constituição. No entanto, o Parlamento peruano agiu rapidamente, aprovando a destituição do então presidente e sua consequente prisão no mesmo dia.

ONU aponta violações de direitos humanos na detenção de Castillo

De acordo com informações divulgadas pela agência EFE e repercutidas na imprensa peruana, o grupo da ONU argumentou em seu parecer, datado de 4 de junho, que a detenção de Castillo violou diversos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. A privação de liberdade do ex-mandatário, segundo o colegiado, careceu de base legal.

O grupo questionou as circunstâncias específicas de sua prisão, a alegada falta de uma justificativa individualizada para mantê-lo em prisão preventiva e a ausência de garantias para um julgamento justo. Esses pontos, segundo a ONU, configuram uma detenção arbitrária, exigindo reparação.

Recomendações e exigências da ONU ao governo peruano

Diante do exposto, o Grupo de Trabalho da ONU considerou que o remédio adequado seria a libertação imediata de Castillo, bem como o reconhecimento do seu direito efetivo a obter uma indenização e outras formas de reparação, em conformidade com o direito internacional. A organização também instou o governo peruano a realizar uma investigação exaustiva e independente sobre as circunstâncias da detenção arbitrária.

Adicionalmente, a ONU solicitou ao Peru que adote as medidas pertinentes contra os responsáveis pela violação dos direitos do ex-presidente. O grupo deu um prazo de seis meses para que o governo apresente informações sobre as ações de acompanhamento em relação às recomendações formuladas, reforçando a seriedade com que a organização trata o caso.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You May Also Like

EUA Pressionam América Latina: “Invistam Mais em Defesa” Contra Narcoterrorismo, Diz Pentágono

Pentágono exige mais gastos com defesa na América Latina para combater crime…

Família Brasileira Condenada por Homeschooling Ganha Manchetes Internacionais: Entenda o Caso e o Debate Jurídico

Caso de família brasileira que optou pelo ensino domiciliar ganha repercussão internacional…

Trump Revela Plano de Ataque Massivo ao Irã em Caso de Assassinato, Citando Ameaças de Morte

Trump afirma que instruiu ataque devastador ao Irã caso seja assassinado O…

Alerta Máximo: Inteligência de Israel Revela Plano Secreto do Irã para Assassinato de Donald Trump, EUA em Alerta

Inteligência de Israel alerta EUA sobre planos do Irã para matar Donald…