EUA acusam Irã de endurecer perseguição a cristãos durante conflitos regionais, citando dados alarmantes de prisões e sentenças.
O Departamento de Estado americano denunciou um agravamento significativo das políticas de perseguição a cristãos no Irã, especialmente nos últimos meses, em um contexto de tensões regionais elevadas.
A repressão dentro do país persa tem se intensificado, com casos que revelam as condições desumanas enfrentadas por detentos religiosos. Um exemplo notório é o de Ghazal Marzban, uma mulher católica de 42 anos, que realizou greve de fome na notória prisão de Evin.
Marzban foi condenada a quase 10 anos de prisão por expressar sua fé, conforme relatado pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA). Seu estado de saúde deteriorou-se, e informações sobre sua condição atual são escassas, levantando sérias preocupações.
EUA condenam violações sistemáticas de direitos humanos no Irã
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA manifestou forte condenação à perseguição de minorias religiosas no Irã, incluindo a comunidade cristã. A declaração enfatiza que os direitos humanos e liberdades fundamentais, como expressão, reunião pacífica e liberdade de religião, são amplamente ignorados pelo regime iraniano.
O regime é acusado de empregar táticas como prisões arbitrárias e tortura para intimidar opositores e silenciar qualquer forma de dissidência. Essa política de repressão se estende a grupos religiosos e étnicos minoritários, que sofrem com a falta de respeito aos seus direitos básicos.
Especialista aponta escalada da perseguição após eventos geopolíticos
Lisa Daftari, especialista em Irã e editora-chefe do programa The Foreign Desk da emissora Monocle, analisou que a eliminação do ex-líder supremo Ali Khamenei e os conflitos envolvendo EUA e Israel contribuíram para a intensificação de políticas mais radicais do regime contra minorias religiosas.
Essa tendência de radicalização já era observada, mas ganhou novo ímpeto com os recentes eventos geopolíticos. A especialista destaca um aumento preocupante no número de prisões de cristãos.
Dados revelam aumento drástico de prisões e sentenças mais longas
Segundo Daftari, as prisões de cristãos saltaram de 139 em 2024 para 254 em 2025, um aumento expressivo que reflete a escalada da repressão. Além disso, as sentenças impostas a esses indivíduos tornaram-se mais longas e frequentes.
Pelo menos 11 pessoas receberam penas superiores a uma década de reclusão. Em meio à guerra iniciada em fevereiro, as autoridades iranianas alegaram ter “neutralizado” ao menos 53 “elementos”, termo utilizado para se referir a cristãos evangélicos, sob a justificativa de ameaças à segurança nacional.
Condições desumanas e greve de fome como protesto
O caso de Ghazal Marzban ilustra as condições severas enfrentadas pelos detentos. A prisão de Evin é conhecida por suas práticas brutais, e a greve de fome de Marzban foi um ato de desespero diante da deterioração de sua saúde e das condições desumanas a que foi submetida.
A situação de Marzban, cujo estado de saúde atual é desconhecido, é um alerta sobre a gravidade da perseguição religiosa no Irã e a falta de garantias para os direitos humanos dentro do país.